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Acidente no Metrô |
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10/09/09
O Acidente na Linha 4 Amarela do Metrô em Pinheiros – SP
Gosto muito do dito popular, “Transformar o Limão em Limonada”, que representa transformar o erro ou o problema no crescimento do homem, ou neste caso, da sociedade que passa a conhecer mais sobre um determinado assunto, face ao acidente ocorrido.
O problema está em qualquer obra de engenharia civil geotécnica no Brasil, desde um muro de arrimo ou fundação de uma casa; a uma mega obra, como esta em tela, em que pesem as magnitudes das conseqüências.
Pergunto inicialmente, o acidente em questão, trata-se de uma “falha” por “desconhecimento”; ou da “omissão” do “conhecimento”, já existente e disponível?
Devemos nos conscientizar de que, o ERRO existiu por termos inconscientizado o CONHECIMENTO já existente. Isto é, a falha ou inadequabilidade da seqüência técnica dos procedimentos da engenharia civil geotécnica, conforme destacaremos a seguir, não foi fruto do desconhecimento da engenharia, mas sim de terem “inconscientizado” o conhecimento já existente, por força do Poder Econômico e ou Político.
Para tanto, vamos detalhar um pouco a seguir, as fases da seqüência técnica correta e já aceita e desenvolvida, nos paises mais evoluídos e preocupados com a humanização e com as conseqüências da engenharia moderna.
Fase I - Sondagens e Ensaios
As Investigações Geológicas e Geotécnicas (IGG) definem: as camadas existentes no subsolo de uma determinada obra; e o comportamento dos solos destas camadas, levando em consideração a obra a ser ali implantada. Este procedimento é obrigatório em qualquer tipo de obra.
A economia feita sem sabedoria nesta fase do empreendimento, como já foi comprovado, pode levar muitas vezes ao insucesso. As IGG’s devem ser tidas como investimento e não como custo. Pois, quanto mais as IGG’s nos trazem a “realidade” sobre a distribuição das camadas do subsolo, e o comportamento destes solos, pode-se afirmar que mais econômica e segura será a obra.
Assim, quanto mais profundas e detalhadas forem as IGG’s, menores serão as incertezas sobre o comportamento dos solos. Portanto, com um maior investimento nas IGG’s obtemos menores riscos e maior economia na obra.
Certamente, este é um dos pontos chaves, que as avaliações do Instituto de Pesquisas Tecnologias – IPT e o Ministério Público – MP, deverão levar a termo em suas análises e interpretações do projeto da Linha 4 Amarela. Evidentemente, não menos importantes serão as próximas fases descritas a seguir.
Ainda com relação à fase de Sondagens e Ensaios, a programação destes serviços e seu acompanhamento e ajustes, deve ser realizada por engenheiro geotécnico, o qual deve participar de todas as outras etapas do projeto, principalmente numa obra do vulto e complexidade desta, onde é imprescindível a atuação do geólogo de engenharia, interagindo; orientado; e auxiliando as outras áreas da engenharia responsáveis pelo desenvolvimento do projeto e da obra em si.
Pergunto agora, será que houve a devida ação destes profissionais e seus conhecimentos, em todas as fases do empreendimento?
A meu ver, acredito que não. Nossa sociedade encontra-se tão “doente”, que uma obra como esta passa pelas mãos de tantos técnicos que, o “conhecimento” fica partilhado de tal forma, que parece não existir mais. Como resultados têm-se maiores riscos, inclusive com relação às vidas humanas.
Fase II - Projeto Geotécnico
Existem engenheiros civis especializados, isto é, com experiência específica, como no caso do engenheiro geotécnico. Esta é uma oportunidade para a sociedade aproveitar e conhecer as funções desta especialização, como procura esclarecer este artigo.
Os engenheiros, com esta especialização, utilizam os conhecimentos obtidos através das investigações geológicas e geotécnicas (IGG), para durante a fase do projeto geotécnico, elaborar os seus cálculos e nortear as suas decisões. Portanto, fica aqui, clara a importância a importância da fase anterior.
No caso em questão, os cálculos seriam para o dimensionamento do revestimento do túnel e o reforço do maciço (subsolo). Mas vale salientar que, em qualquer obra, seja ela de uma simples residência, tem-se em tese, que obedecer ao mesmo procedimento. Por exemplo, com base nas sondagens e ensaios devem ser dimensionadas a fundação e o muro de arrimo. Eis aqui, mais uma grande oportunidade para a sociedade aprender com o acidente ocorrido.
Fase III – Instrumentação e Monitoramento
O atual estado de desenvolvimento do projeto geotécnico, no nosso país, congrega o projeto de instrumentação e monitoramento, apenas ou principalmente em casos de túneis e barragens. À medida que haja uma maior conscientização da sociedade, este procedimento irá sendo incorporado a outros empreendimentos. Pois, ele tem a finalidade de avaliar o desempenho da obra, em relação às previsões de comportamento estimadas na fase do projeto geotécnico.
A instrumentação tem o objetivo de avaliar o comportamento do maciço durante e após a execução da obra, face ao que foi previsto na fase de projeto. E o monitoramento, nos possibilita detectar os possíveis movimentos, que poderiam nos levar aos Níveis de Alerta e de Pré-Ruptura durante a execução da obra e também após a sua implantação, devido a possíveis acomodações.
Na fase, de projeto, com base nos cálculos e nas IGG’s, definem-se os procedimentos; ações; e atitudes a serem implementadas em função dos níveis de alerta e do mapeamento da frente de escavação, que ocorrem durante acompanhamento técnico da obra, conforme descrito na fase seguinte.
Este mapeamento da frente de escavação é fundamental, conjuntamente com a instrumentação, para que possa ser tomada a tempo, a atitude necessária e não ocorra o que aconteceu no caso da Linha Amarela; esta foi, creio eu, a grande falha do sistema, ocasionada pelos “Conhecimentos Inconscientizados” e pelas pressões dos poderes e a patologia social.
Tem-se que ressaltar e alertar aos empreendedores, sejam de uma residência a uma mega obra, dos riscos que sempre existirão, em qualquer trabalho de engenharia, e não menos na geotécnica. E da conseqüente necessidade e importância destas fases de trabalho, aqui expostas, sob o risco de gastos desnecessários e de insucessos como o ocorrido na Linha Amarela do Metrô de São Paulo, infelizmente ocasionando à perda de vidas humanas.
Fonte:
Engº Mauro Hernandez Lozano
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