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Lençol Freático |
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09/09/09
Recalques por Rebaixamento do Lençol Freático.
Os recalques provenientes do rebaixamento do lençol freático têm sido muito freqüentes ultimamente. Ou melhor, têm sido objeto de freqüentes demandas públicas e ou judiciárias.
Ora, o problema é sobejamente conhecido da engenharia geotécnica. Recordo-me que nos meus primeiros anos como formado, lá pelos fins da década de 70, já os tinha presentes como objeto de atenção e quantificação em projetos de geotecnia para obras sanitárias de escavação de valas.
Então, porque atualmente tem gerado tantas controvérsias na sociedade ?
O fato a meu ver, é que não se tem dado à devida atenção a este problema, talvez face às “dificuldades” de um diagnóstico geotécnico adequado. E, fato que existem dificuldades, entretanto elas são socialmente inerentes à responsabilidade dos profissionais responsáveis.
Ou seja, para verificar a existência da possibilidade de recalques provenientes do rebaixamento do lençol freático, o engenheiro civil geotécnico deve inicialmente conhecer as diferentes camadas, espessuras, distribuição e comportamento dos diversos solos afetados pelo provável ou possível rebaixamento do lençol freático.
Assim, se obrigam a fazer sondagem na região do entorno da futura escavação, ou seja, na área a ser afetada por tal rebaixamento, a qual pode-se denominar de área ou raio de influência, ou também, cone de depressão do lençol freático.
Deveria o engenheiro geotécnico realizar tais investigações, estimar as diferentes camadas existentes sob a influência da depressão do lençol freático e estimar a variação de pressão de água nos vazios dos solos.
Vemos aqui dois grandes problemas que raramente são contingenciados em projetos de obras de escavação urbanas, ou melhor, em obras de subsolos de prédios.
Primeiro, há uma cultura da não aplicação de técnicas “já conhecidas”, levando ao “desconhecimento” destas tecnologias, ou pode-se também entender, que seja as dificuldades de executar as sondagens fora do local da obra, pois o costume, cultura, ou inadequação do que se faz é realizar as investigações apenas no terreno objeto da obra, não se fazendo sondagens nos vizinhos e ou nas ruas próximas.
A “precariedade”, se assim posso dizer, afeta também os projetos de contenções, projetando-se o conhecimento das camadas dos solos da área da obra para fora dela, o que se sabe não ser uma realidade.
Esta "precariedade" poder-se justificar pela impossibilidade de fazer sondagens fora da área da obra. Quando responderia que se trata sim de uma dificuldade, que culturalmente foi aceita como impossibilidade, o que na verdade é um mito. Deve-se sim, investigar melhor a região do entorno da obra de escavação, quando os efeitos do rebaixamento do lençol freático forem passíveis de ocorrência.
O outro grande problema está na estimativa da pressão de água nos vazios dos solos que é obtida a partir da rede de fluxo formada pela percolação de água no subsolo proveniente a existência de um lençol freático e da escavação a ser executada. Esta demanda (rede de fluxo) esta atrelada à determinação do comportamento dos solos, em face da percolação de água.
Sendo mais especifico, o engenheiro civil geotécnico deveria programar ensaios de permeabilidade dos solos ao longo das camadas existentes nos subsolos. Estes ensaios podem ser feitos, em furos de sondagem ou através da obtenção de amostras indeformadas dos solos e a realização de ensaios de laboratório.
Vale lembrar que não tenho conhecimento deste tipo de procedimento nos casos de obras de edificações com subsolos, objeto deste artigo, e creio ser rara sua prática comum, porém sobejamente conhecida no meio geotécnico e utilizada em outros tipos de obras de escavação abaixo do lençol freático.
Assim, não cabe dizer que não seria possível realizar tais ensaios e sondagens, mas sim que sua prática não seja contingenciada por razões “econômicas” ou por “dificuldades”. Entendo tecnicamente ser obrigatório o uso destas técnicas para que a sociedade não padeça com mais este ônus causado pelo poder econômico e político ou pela incompetência da engenharia brasileira.
Realizada estas investigações geotécnicas segue-se o estudo com a realização de ensaios de adensamento em amostras provenientes das camadas envolvidas no processo, que irão permitir a quantificação da compressibilidade destas camadas do solo.
Ressalto também outro fator importante e curioso. A depressão do lençol freático que ocasiona o recalque dos solos em áreas urbanas dá-se pelo fruto da própria ocupação, pois, quando se pavimenta e executam-se as edificações impermeabilizasse a superfície do terreno. Assim pouco a pouco a água deixa de alimentar o aqüífero subterrâneo indo direto aos córregos e rios.
Também se deve destacar que a depressão do lençol freático depende do tempo de rebaixamento ou bombeamento, utilizado para propiciar a escavação dos subsolos, esteja em funcionamento.
Explicando melhor, para viabilizar a escavação de subsolos, abaixo do nível de água, muitas vezes, utiliza-se de sistema de rebaixamento do nível d’água (solos mais permeáveis), outras vezes o rebaixamento se faz naturalmente com as escavações (solos de baixa permeabilidade), neste caso executa-se apenas o bombeamento no fundo da cava.
Também há situações em que após a conclusão das obras ainda se continue bombeando a água do subsolo, tornando-se parte integrante do sistema de drenagem dos subsolos dos edifícios.
O que se deseja esclarecer com estes últimos parágrafos, é que estas circunstâncias devem ser consideradas no projeto de rebaixamento do lençol freático, raras vezes efetuado pelos responsáveis.
Em outras palavras, deseja-se esclarecer, que a quantidade de água retirada do subsolo e não reposta pelo homem ou pela natureza (infiltração das águas de chuvas), criará um déficit hídrico deprimindo o lençol freático, com conseqüentemente aumento da predisposição para o efeito de recalques.
Poder-se-ia continuar este artigo expondo e ou esclarecendo nossa opinião de como colocar em prática uma solução sobre o problema em tela.
Entretanto, o objetivo deste artigo é abrir uma porta para uma discussão mais séria de como praticar os conhecimentos de engenharia geotécnica de modo a servir melhor a sociedade não a transtornando.
O problema exposto aqui é sobejamente conhecido pelos especialistas de engenharia geotécnica. Entretanto, sua aplicação é precária e diria conseqüência de uma sócia patologia.
Fonte:
Engº.Mauro Hernandez Lozano
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